Conjuntura

Junho de 2013… dois anos depois / Polarização, impactos e reconfiguração do ativismo no Brasil

Junho de 2013… dois anos depois Polarização, impactos e reconfiguração do ativismo no Brasil

Sejam de direita ou de esquerda, as mobilizações que sacudiram o Brasil em 2013 e 2015 compartilham algumas formas de expressão, ação e organização comuns a muitos movimentos contemporâneos. Estão associadas a uma nova «geopolítica da indignação global». O artigo analisa a fundo as manifestações, deixando de lado as leituras nuançadas da mídia e da academia. Argumenta que as mobilizações massivas de Junho de 2013 produziram uma abertura societária no Brasil. Emergiram novos espaços e atores que levaram a um aumento da conflitualidade no espaço público e a um questionamento dos códigos, sujeitos e ações tradicionais que primaram no país durante as últimas duas décadas. As mobilizações de massa são menos controladas por organizações sociais e políticas, difundidas e reproduzidas de forma viral, sob uma lógica que abre um maior espaço para os indivíduos.

Ajuste para poder governar

Ajuste para poder governar

No início de 2015, o Brasil viu-se diante de três problemas que se somavam de forma interdependente: a recessão, a crise fiscal e a grave crise política. A presidente Dilma Rousseff precisou adotar uma série de decisões que equilibrassem a economia, restabelecessem o superávit primário e restaurassem a confiança no governo. Uma delas foi chamar um economista ortodoxo para comandar o Ministério da Fazenda e adotar uma firme política de ajuste fiscal. O artigo examina em detalhe esse processo e avalia o ajuste realizado, concluindo com uma perspectiva sobre o desempenho da economia brasileira nos próximos anos.

Tribuna regional e global

Velhas e novas direitas religiosas na América Latina / Os evangélicos como fator político

Velhas e novas direitas religiosas na América Latina Os evangélicos como fator político

A América Latina tem uma longa tradição de presença evangélica, mas nas últimas décadas esta deu um salto significativo, especialmente em sua versão neopentecostal. Esse crescimento fortaleceu a sua capacidade de influência na agenda pública através de partidos evangélicos ou, mais frequentemente, por meio de associações «pró-vida» e «pró-família». Enquanto no início do século xx a agenda evangélica lutava pela separação entre Igreja e Estado, hoje suas posturas contra o avanço da «agenda gay» e da «ideologia de gênero» aproximam estes grupos aos conservadores católicos na luta contra as mudanças liberalizantes na família e na sociedade.

Podemos e o «populismo de esquerda» / Rumo a uma contra-hegemonia a partir do sul da Europa?

Podemos e o «populismo de esquerda» Rumo a uma contra-hegemonia a partir do sul da Europa?

O Podemos é uma nova formação política que aproveitou a janela de oportunidade aberta pela crise e foi capaz de sacudir o tabuleiro político espanhol com consequências imprevisíveis. Pela primeira vez em décadas, uma esquerda acostumada com a derrota encontra um discurso para desafiar uma maioria social. Ainda que o partido de Pablo Iglesias enfrente hoje obstáculos para o crescimento vertiginoso manifestado em seus primeiros meses, os resultados históricos obtidos por candidaturas cidadãs apoiadas pelo Podemos em cidades como Barcelona e Madri mostram que a fissura aberta pela crise na política espanhola não foi fechada.

Tema central

Estado e tributos na América Latina / Avanços e agendas pendentes

Estado e tributos na América Latina Avanços e agendas pendentes

As recentes experiências de diversos governos da América Latina, ainda que com diferentes intensidades e dificuldades para se afirmarem, geram a expectativa de que se consolide uma nova forma de interpretar o papel do Estado. A crise em escala global do regime de acumulação predominante abre a oportunidade para a aplicação de políticas que confrontem os postulados básicos sobre os quais ele se sustenta. No entanto, em matéria de política fiscal, embora sejam observados avanços com diferentes matizes nesses países, a transformação do sistema tributário em uma ferramenta para a redistribuição de renda e riqueza continua sendo uma tarefa pendente.

Dívidas e desafios de uma nova agenda em educação

Dívidas e desafios de uma nova agenda em educação

Nesta primeira década e meia do século xxi, vem se afirmando na América Latina uma agenda de direitos e políticas de inclusão social e cultural que tem produzido uma expansão significativa dos sistemas educacionais. Contudo, a expansão é produzida em momentos de queda de legitimidade da instituição escolar e com diversos desafios sobre como processar a inclusão educacional. Além disso, o trabalho docente se define na tensão entre as vicissitudes do funcionalismo público, a precarização de recursos, o poder sindical e os dilemasda profissão de magistério. Em vários desses terrenos, surge a possibilidade de repensar a educação pública na região.

O cuidado: de conceito analítico a agenda política

O cuidado: de conceito analítico a agenda política

Existe uma ampla gama de conceitos e termos relacionados com o cuidado, que dependem de diversas correntes teóricas e bases disciplinares. Estas abordagens analíticas deram lugar, nos últimos anos, a um debate político sobre a construção de uma agenda de cuidados feminista e transformadora. Transformar o cuidado como conceito com potencialidade analítica em uma ferramenta política exige avançar em uma construção não isenta de dificuldades. Retomar o debate normativo em torno do cuidado, rever as agendas – em plural – do cuidado vigentes na América Latina e indicar algumas tensões em sua implementação podem contribuir para estas discussões.

Sobre o trabalho de cuidado de idosos e os limites do marxismo

Sobre o trabalho de cuidado de idosos e os limites do marxismo

Não é de inovação tecnológica que se precisa para enfrentar a questão do cuidado de idosos. É necessária uma transformação da divisão social e sexual do trabalho e, acima de tudo, o reconhecimento do trabalho reprodutivo como trabalho. Esse é o eixo central deste artigo em sua análise sobre os limites do marxismo e da esquerda radical, que cometem um grave erro ao ignorar esta questão crucial, da qual depende a possibilidade de criar uma solidariedade geracional e de classe. Sem enfrentar esta tarefa, será impossível avançar para um mundo mais igualitário e emancipado.

A política de drogas na América Latina: obstáculos e próximos passos

A política de drogas na América Latina: obstáculos e próximos passos

Aqueles que propõem uma abordagem repressiva como eixo principal do combate contra o narcotráfico e da política de drogas não foram capazes de demonstrar uma redução real da produção nem do consumo de substâncias hoje controladas. Contudo, as ideias sedimentadas sobre essa temática aumentam os custos políticos para quem se propõe a modificaro senso comum e as políticas públicas. As recentes mudanças na legislação de Washington e do Colorado, nos Estados Unidos, assim como do Uruguai, mostram outros caminhos possíveis, mas também os obstáculos para trilhá-los.

«Alguém tem que ser o primeiro» / A iniciativa uruguaia sobre a cannabis: um modelo regional?

«Alguém tem que ser o primeiro» A iniciativa uruguaia sobre a cannabis: um modelo regional?

O Uruguai avançou em uma iniciativa inovadora que propõe regular o ciclo completo de produção, distribuição, comercialização e consumo de cannabis psicoativa em todo o território nacional, criando um mercado legal e controlado pelo Estado. Essa mudança, incentivada pela presidência de José Mujica – apesar da reticência do presidente recentemente eleito, Tabaré Vázquez –, gerou expectativas no exterior, diversas polêmicas na recente campanha eleitoral e inúmeros desafios para a aplicação da nova legislação, que se distancia da tradicional «guerra contra as drogas».

O antimodelo brasileiro / Proibicionismo, encarceramento e seletividade penal frente ao tráfico de drogas

O antimodelo brasileiro Proibicionismo, encarceramento e seletividade penal frente ao tráfico de drogas

Embora a chamada «guerra contra as drogas» tenha dado escassos resultados e seja com frequência contraproducente, o Brasil continua empenhado nesse caminho. Um dos efeitos tem sido o superencarceramento, que afeta principalmente os jovens das favelas, muitos deles negros e mulatos. Ao contrário dos Estados Unidos, onde há sinais recentes de mudanças, o Brasil mantém a opção pela modalidade repressiva inclusive sob governos de esquerda. Desse modo, com o pretexto de proteger a saúde pública, deixa-se de proteger a vida e são ignorados os efeitos perversos que atingem a sociedade com a aplicação da lei de drogas.