Conjuntura

«Trumponomics»: neoliberalismo neoconservador disfarçado de circo antiglobalização

«Trumponomics»: neoliberalismo neoconservador disfarçado de circo antiglobalização

Uma chave do sucesso político de Donald Trump tem sido sua farsa de ser pró-trabalhador, quando seu verdadeiro interesse econômico é exatamente o oposto. Isso cria um conflito entre seus interesses políticos e econômicos. Ele criticará fortemente a globalização, mas suas ações não serão tão fortes quanto suas ameaças porque a globalização aumentou os lucros das empresas. Trump expressa tendências unilateralistas neoconservadoras que não são aberrações políticas temporárias e pontuais. Antes, refletem características intrínsecas da política de governo dos Estados Unidos.

Tribuna regional e global

Da necessidade de repensar as políticas de comércio em tempos de desglobalização

Da necessidade de repensar as políticas de comércio em tempos de desglobalização

O livre comércio tem sido afetado por uma reação antiglobalização por parte da opinião pública de muitas economias avançadas, ao mesmo tempo em que contribui ativamente para que essa reação aconteça. Em grande medida, isso pode ser visto como uma resposta a políticas que, no passado, produziram «perdedores» – não apenas «ganhadores» – e, em especial, aumentaram a desigualdade de renda. Para evitar um retrocesso político ainda maior que leve a «guerras comerciais» retaliatórias, é necessário repensar as políticas comerciais, tornando-as mais realistas, pragmáticas, equilibradas, inclusivas, coerentes e alinhadas com as políticas das outras áreas.

Que as empresas transnacionais paguem o justo / Por uma nova ordem tributária regional

Que as empresas transnacionais paguem o justo Por uma nova ordem tributária regional

As leis que regulam hoje a tributação corporativa internacional estão vigentes há quase 100 anos, o que evidencia a obsolescência do sistema atual. Isso criou «buracos» na legislação, convenientes aos sonegadores, pois dessa forma eles podem transferir dinheiro a paraísos fiscais em transações simples e que não podem ser denunciadas como ilegais. Nesse marco, o relatório da Comissão Independente pela Reforma da Taxação Corporativa Internacional e a campanha global «Que as empresas transnacionais paguem o justo» buscam uma nova ordem tributária internacional mais compatível com a justiça social.

Tema central

Variações sobre a democracia pós-moderna

Variações sobre a democracia pós-moderna

A temática das transições à democracia, que dominou o período de expansão das liberdades civis a partir da década de 1980, parece ter dado lugar ao problema da crise de legitimidade que abarca também as democracias mais antigas e se une a uma crescente desigualdade social. As últimas contribuições de Jürgen Habermas, teórico de referência da década de 1980, permitem delinear os novos problemas da legitimidade, determinados pelo surgimento de uma «oligarquia tecnocrática».

Condenados à pós-democracia?

Condenados à pós-democracia?

A democracia ainda constitui um ideal atrativo para os povos com regimes autoritários, mas tanto as velhas como as novas democracias estão em crise. A democracia dos Modernos, no Norte global, é apenas parcialmente universalizável, e as democracias reais foram sempre híbridas e «mestiças». As mudanças sociais e os novos desafios do século xxi são fortes demais para pretendermos repetir velhos modelos. Estamos, então, condenados à pós-democracia ou ao autoritarismo? Ou ainda será possível uma nova revolução democrática? Se for, que formas assumiria?

A democracia conseguirá sobreviver ao século XXI?

A democracia conseguirá sobreviver ao século XXI?

A democracia liberal é o único sistema de governo que emergiu do conturbado século xx com legitimidade global. No entanto, seus princípios fundacionais se encontram hoje sob ataque nas democracias industrializadas. Como explicar esse fenômeno? Um novo contexto global, caracterizado pela relocalização da produção industrial, impele os eleitores a respaldar lideranças cada vez mais radicalizadas. A experiência latino-americana sugere que esses governos intransigentes erodem os direitos políticos e as liberdades civis de seus adversários. As tentativas de renovar a democracia costumam conduzir, inesperadamente, a formas veladas de poder autocrático.

Os populismos refundadores / Promessas democratizadoras, práticas autoritárias

Os populismos refundadores Promessas democratizadoras, práticas autoritárias

O ciclo político aberto por Hugo Chávez no final da década de 1990 se sustentou em promessas de refundação nacional em um contexto de crise das instituições de representação política e de mobilizações populares contra o neoliberalismo. Suas políticas se basearam no combate à pobreza, ampliaram os gastos sociais, redistribuíram os excedentes da receita obtida com os recursos naturais e mobilizaram os setores populares contra as elites. Mas tudo isso foi realizado aprofundando o caráter extrativista da economia e os movimentos autoritários próprios da política fundamentada na lógica amigo/inimigo.

Há outro mundo possível construído pelas tecnologias de participação política?

Há outro mundo possível construído pelas tecnologias de participação política?

Movimentos políticos e sociais ao redor do mundo USAM cada vez mais as tecnologias de informação e comunicação (TICS), dando ensejo a perspectivas de transformação da democracia. No entanto, tais ferramentas ainda não conduziram a um maior protagonismo da sociedade em relação ao Estado nem a uma melhor distribuição de poder. Esta reflexão busca identificar os principais desafios e riscos para os instrumentos digitais de participação política.

Feminismo e neoliberalismo na América Latina

Feminismo e neoliberalismo na América Latina

A hipótese proposta por Nancy Fraser sobre uma afinidade eletiva entre o feminismo contemporâneo e o neoliberalismo pode ser aplicada às realidades materiais e culturais da América Latina? Em diálogo crítico com essa hipótese, este artigo analisa os significados em constante transformação das estratégias de libertação e da luta pela autonomia das mulheres em uma época de economia de livre mercado e onguização. Ao mesmo tempo, busca captar as especificidades culturais dos feminismos latino-americanos e ponderar sua afinidade com os projetos neoliberais.

Por que perduram os regimes autoritários

Por que perduram os regimes autoritários

Conforme observado empiricamente, o equilíbrio ideal para a sobrevivência das ditaduras é obtido ao se combinar uma alta legitimação baseada na ideologia e nos resultados com uma minimização da repressão «dura», um desenvolvimento da repressão «suave» e um nível médio de cooptação. Hoje são vários os regimes que resistem à divisão binária entre democracia e ditadura, tentando conseguir uma combinação entre esses elementos para garantir sua sobrevivência. O otimismo sobre uma evolução linear rumo a democracias liberais surgido após a queda do Muro de Berlim agora faz parte dos desejos superficiais do passado.

A renda cidadã em debate / Repensar o bem-estar no século XXI

A renda cidadã em debate Repensar o bem-estar no século XXI

Nos últimos anos, paralelamente às críticas aos programas direcionados e condicionados, especialmente em algumas partes da Europa, começaram a ser discutidas a conveniência e a viabilidade de uma «renda cidadã» que possa satisfazer as necessidades básicas da população. Trata-se de uma discussão que coloca em seu cerne a questão da cidadania, mas também a necessidade de sistemas tributários progressivos como base para um bom funcionamento da renda universal. Na América Latina, no entanto, o debate está longe de avançar.

Girassóis de Taiwan, guarda-chuvas de Hong Kong

Girassóis de Taiwan, guarda-chuvas de Hong Kong

As recentes eleições em Taiwan e em Hong Kong dão prova do impacto profundo e duradouro dos movimentos estudantis de 2014. As reivindicações democráticas ganham terreno, mas, ao contrário do que ocorreu no Ocidente, em Taiwan e Hong Kong os jovens lutam mais pela liberdade que pela igualdade, enquanto suas demandas ecoam os sentimentos populares contrários à China. Ao mesmo tempo, o contexto mudou nas últimas décadas: setores econômicos poderosos, outrora anticomunistas, hoje buscam vínculos com a pujante economia do gigante asiático.