Tribuna global

A Europa e seus inimigos na direita

A Europa e seus inimigos na direita

O populismo de direita coloca em perigo o futuro da União Europeia e as sociedades democráticas que o bloco aspira a criar, baseadas nos direitos humanos. O artigo analisa a crescente influência dos populistas de direita, que já ocuparam cargos ministeriais em diversos Estados membros da ue. Seus slogans antieuropeus, que procuram criar linhas culturais divisórias em vez de incentivar a integração, vêm encontrando uma audiência receptiva entre as novas gerações. Diante disso, o autor diz que é preciso defender a autoimagem da Europa como um continente comprometido com o aprimoramento da sociedade civil e a proteção de direitos sociais.

Direitos humanos e globalização econômica / Uma agenda urgente no debate internacional

Direitos humanos e globalização econômica Uma agenda urgente no debate internacional

Existem na atualidade fortes assimetrias entre as empresas e as populações e, em muitos casos, entre as empresas e os Estados. Essas assimetrias geram situações de abusos e violações dos direitos humanos, além de bloquear o acesso das populações afetadas à Justiça. Em consequência, as companhias têm responsabilidade direta ou indireta por uma série de crimes contra a vida, o meio ambiente, a liberdade sindical, os consumidores e a saúde das pessoas. O artigo analisa esse contexto para destacar a importância do tema «direitos humanos e empresas», que busca limitar a apropriação extrema e desigual das riquezas comuns e promover um sistema jurídico que proteja as pessoas.

Coyuntura

Brasil-Venezuela: e agora, o que fazemos?

Brasil-Venezuela: e agora, o que fazemos?

As crises do Brasil e da Venezuela representam enormes desafios para as esquerdas e os movimentos populares da América Latina. No caso brasileiro, um grupo de legisladores corruptos e oportunistas liderou um impeachment aproveitando a maioria opositora na Câmara e a rejeição contra a corrupção. Já na Venezuela, a oposição conseguiu pela primeira vez derrotar o (pós-)chavismo nas urnas, enquanto a crise econômica, a insegurança e a desorganização estatal parecem levar o país a um ponto sem retorno. Esse contexto leva à necessidade de pensar seriamente a democracia e analisar de forma honesta (embora não menos radical) que tipos de instituição a mudança social requer.

Tema central

A construção da «boa sociedade» / Um desenvolvimento com compromisso social-democrata

A construção da «boa sociedade» Um desenvolvimento com compromisso social-democrata

O modelo baseado no crescimento das manufaturas de exportação para os países emergentes economicamente mais dinâmicos parece encontrar um limite. Além disso, em muitos países, a «armadilha da transformação» – que distancia as classes médias e populares – impediu a formação de uma ampla coalizão social para a modernização e o desenvolvimento. Nesse contexto, a plataforma das capacidades de Amartya Sen atende às esperanças das classes emergentes e, ao mesmo tempo, oferece às classes médias serviços públicos de qualidade em troca de seus impostos, em um New Deal social-democrata que tende a criar uma «boa sociedade com plenas capacidades para todos».

A tentação autoritária / A nova esquerda europeia: entre o ressurgimento e o populismo

A tentação autoritária A nova esquerda europeia: entre o ressurgimento e o populismo

O descontentamento da população tem feito emergir algumas forças políticas de esquerda, especialmente no sul da Europa (como Syriza e Podemos), e provocado realinhamentos em algumas das forças tradicionais, como o Partido Trabalhista britânico. No entanto, apesar de fazer frente a um problema existente – a crescente desigualdade e as políticas pró-mercado –, os novos movimentos tergiversam as soluções ao estabelecer uma clivagem entre «o povo» e «a casta», em um tom populista que dá margem a derivações nem sempre desejáveis. Ao mesmo tempo, novos tipos de soberanismo debilitam o olhar sobre as mudanças que afetam a Europa como um todo.

Os dilemas do Syriza / História de uma decepção?

Os dilemas do Syriza História de uma decepção?

A vitória eleitoral de Alexis Tsipras na Grécia no início de 2015 gerou muitas expectativas no mundo e no país, que se encontrava submetido às consequências da corrupção das velhas elites políticas, aos planos de austeridade e à pressão da troika. No entanto, sem um plano b diante da pressão de Bruxelas, Tsipras decidiu aceitar as condições do Terceiro Memorando como uma opção melhor do que suportar as consequências da saída da zona do euro. Apesar da decepção de muitos de seus seguidores, as alternativas à esquerda do novo Syriza não conquistaram força eleitoral, e muitos gregos preferiram votar em Tsipras a se arriscar com as velhas elites.

O fenômeno Sanders e o socialismo nos Estados Unidos

O fenômeno Sanders e o socialismo nos Estados Unidos

Teria sentido a esquerda concorrer à Presidência em um país como os Estados Unidos? Essa pergunta permite abordar o lugar do senador democrata Bernie Sanders, que mudou o rumo da política de seu país ao falar de socialismo democrático na campanha para as eleições presidenciais que ocorrerão no final de 2016. Embora seu projeto remeta ao New Deal, posicionar-se em defesa da universidade gratuita e dos direitos dos trabalhadores, além de inserir a brutalidade policial em um contexto mais amplo da desigualdade, faz ressoar termos que a vitória neoliberal havia condenado ao esquecimento.

O progressismo em um rumo incerto: o caso do Chile

O progressismo em um rumo incerto: o caso do Chile

A vontade reformista com que Michelle Bachelet assumiu em março de 2014 logo começou a se desfazer. Além do caso de tráfico de influências que afetou seu filho e debilitou a instituição presidencial, existe a resistência conservadora inclusive dentro da aliança governista. Neste contexto, as discussões sobre o caráter desigual e baseado em exportações primárias da economia chilena marcam uma agenda em que resta muito a concretizar e onde a substituição da herdada e várias vezes reformada Constituição do pinochetismo aparece como uma tarefa tão postergada como imprescindível para o progressismo.

«Nem populistas, nem conservadores» / Dilemas e desafios do socialismo democrático argentino

«Nem populistas, nem conservadores» Dilemas e desafios do socialismo democrático argentino

A trajetória histórica do Partido Socialista na Argentina apresenta alguns elementos comuns às experiências – e tensões – vividas pela social-democracia na América Latina. Ou seja, como se posicionar diante das experiências populistas sem se deixar absorver por um republicanismo democrático genérico que descaracterize todo o perfil socialista. Isso leva a repensar a quem se destina o discurso dos socialistas e a (re)construir conexões com o undo popular e dos movimentos sociais, e também com outras correntes da esquerda atual.

As esquerdas e a democracia / Notícias de uma crise

As esquerdas e a democracia Notícias de uma crise

A crise das esquerdas revela uma flagrante perda de credibilidade das promessas de igualdade e emancipação que estavam na sua origem, tanto no projeto socialista-comunista específico como no projeto social-democrata. O que manteve acesa a hama da esquerda não foi tanto a construção do socialismo, mas as lutas de libertação anti-imperialistas e as lutas contra os regimes ditatoriais. Hoje, observa-se que as transformações nos países que se libertaram do jugo colonial-imperial tiveram resultados ambíguos para os seus povos. O artigo analisa essa crise, examina os dilemas da social-democracia e conclui com uma advertência: nunca a força da política e o apreço à utopia foram tão importantes.

Esquerdas e feminismos, marcos contemporâneos

Esquerdas e feminismos, marcos contemporâneos

No contexto dos atuais debates das esquerdas, torna-se produtivo revisitar o encontro entre esquerda e feminismo com um olhar contemporâneo. Em um tema tão vasto, uma forma de acesso é recorrer brevemente a alguns marcos dos últimos anos, por meio dos quais é possível repassar encontros e desencontros entre esquerdas e feminismos cada vez mais plurais. Da América Latina a Europa e Oriente Médio, a relação problemática, embora frutífera, revela suas próprias tensões e desafia os limites identitários e políticos de quem se apresenta ao diálogo e à tarefa comum em busca de projetos que enfrentem as desigualdades em suas múltiplas dimensões.

Partidos políticos: exerçam sua função normativa!

Partidos políticos: exerçam sua função normativa!

Jamais os partidos políticos foram tão necessários como atualmente. Quem, senão os partidos, seria capaz de traduzir a formação de vontade (e opinião) social em leis e atuação política? No entanto, para que as legendas possam fazer jus a esta missão, precisam primeiro reaprender a travar debates sobre questões fundamentais. O artigo examina em detalhes a essência e a função dos partidos, lembrando que o Parlamento constitui o espaço onde ocorre a articulação entre a função de formação da vontade (e opinião) dos partidos e o processo legislativo. Daí sua importância como espaço decisivo para a reflexão crítica sobre o estado da representação.