Artículos

A ascensão chinesa e os desafios da politica externa brasileira

Até 2003, a ascensão da China gerou um intercâmbio comercial muito positivo para o Brasil. No entanto, nos últimos anos o padrão de comércio indica que o Brasil importa cada vez mais bens manufaturados, enquanto exporta matérias-primas. Isto provocou uma série de demandas de diferentes setores empresariais a fim de adotar uma política mais protecionista. Além disso, a estratégia de cooperação Sul-Sul encontrou dificuldades para se refletir em ações concretas nos organismos internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). O resultado é que, desde 2005, o governo decidiu adotar uma postura mais pragmática em sua relação com a China.

A construçao retomada: desafios políticos e perspectivas internacionais para o Brasil

Desde 1930 até a década de 1980, o Brasil atravessou um longo processo de crescimento econômico e desenvolvimento que, ao contrário do que ocorreu em outros países latino-americanos, continuou durante a ditadura. A volta da democracia, no entanto, foi acompanhada por uma série de crises econômicas importantes. Com relação à política externa, o denominador comum tem sido a estratégia de ganhar espaços de autonomia sem enfrentar as grandes potências. Desde a chegada de Lula ao poder, o Brasil tem desempenhado um papel político importante na América do Sul. Manteve sua decisão de não participar da ALCA e atua de forma cada vez mais significativa ao lado de outras potências emergentes, como a China e a Rússia.

A integração no espaço sul-americano. A Unasul e o Mercosul podem se complementar?

O espaço sul-americano constitui um subsistema internacional diferenciado. Hoje, a região se encontra cada vez mais interconectada, apresenta diversidades marcantes e atravessa um processo de mudança. Neste contexto, a questão da governabilidade adquire importância especial. O Mercosul e a Unasul são as iniciativas institucionais da maior relevância no momento de conferir institucionalidade ao espaço sul-americano. Em ambas, o Brasil desempenha um papel fundamental. O artigo sustenta que, embora existam inúmeros problemas, os dois processos podem se complementar a fim de contribuir para um entorno de paz e estabilidade política na região.

As relações bilaterais Brasil-Estados Unidos (1989-2008. As três fases contemporâneas

As relações entre o Brasil e os Estados Unidos foram mudando ao longo da história, mas sempre mantiveram sua prioridade estratégica. Desde 1989, o vínculo passou do alinhamento para a autonomia, até chegar à situação atual, que poderia ser chamada de «diálogo estratégico». A relação engloba várias áreas, desde os acordos comerciais até as pretensões do Brasil de reformar organismos internacionais como o Conselho de Segurança da ONU. Neste contexto, a relação bilateral entrou em uma etapa de maturidade, na qual ambos os países consideram o outro um parceiro importante, mas sem por isso renunciar à busca de seus interesses nacionais.

Brasil e Estados Unidos depois das eleições presidenciais

Seja qual for o resultado das próximas eleições nos Estados Unidos, o novo governo deveria dar maior prioridade à relação com o Brasil. Por diversos motivos, desde os atentados de 11 de setembro até o conflito no Oriente Médio, George W. Bush não destinou atenção especial à América Latina. A lógica indica que isso deveria mudar e, sobretudo, que o vínculo com o Brasil deveria ser fortalecido: a liderança de Lula, o status de «grau de investimento» concedido pelas agências qualificadoras de risco financeiro, o alto valor das commodities e o papel ativo do Brasil no grupo das potências emergentes fazem com que o país assuma uma importância cada vez maior para a política exterior dos EUA.

Culturas brasileiras no mundo. Do país do samba e da caipirinha a um pólo de inovações culturais contemporâneas

Embora a imagem tradicional do Brasil no mundo seja projetada a partir da caipirinha, do samba e do futebol, na realidade existe muito mais. A enorme diversidade cultural do país tem permitido uma longa série de inovações, algumas alentadas pelo Estado e outras surgidas de maneira espontânea, que contribuem para uma imagem menos estereotipada do Brasil. Das novelas ao AfroReggae, das novidades da internet à São Paulo Fashion Week, o desafio consiste em articular, a partir do governo, os projetos e iniciativas dispersos a fim de explorar um dos grandes capitais do Brasil: sua diversidade cultural.

Entre o Norte e o Sul: o papel do Brasil no sistema internacional de segurança

O Brasil desempenha um papel cada vez mais importante no sistema internacional e, em particular, no âmbito da segurança. Uma identidade híbrida Norte-Sul lhe permite defender os interesses do mundo em desenvolvimento e, ao mesmo tempo, ser ouvido pelas grandes potências. Apóia-se em seu grande peso econômico e político e em sua tradição pacífica. Sem ser uma grande potência militar, o Brasil tem participado ativamente das missões de paz da ONU e, pelo menos desde a volta da democracia, tem desenvolvido uma estratégia que procura consolidar seu lugar como fator de estabilização regional e, ao mesmo tempo, fortalecer seu papel no sistema internacional.

O Brasil e a União Européia. Os passos rumo a uma nova potência global?

O artigo analisa os passos dados pelo Brasil em seu plano de se transformar em uma verdadeira potência global e como a relação com a Europa tem influído nesse projeto. Após abordar o tema a partir do ponto de vista conceitual, descreve-se a história das ambições globais do Brasil e como elas foram mudando ao longo dos anos. Dois acontecimentos recentes permitem avaliar o alcance real do projeto brasileiro: a assinatura de um acordo de parceria estratégica com a União Européia e as negociações da Rodada Doha, nas quais o Brasil não conseguiu mudar a posição da Europa nem se posicionar como um mediador eficaz entre os diferentes interesses em jogo.

O Brasil e o BRIC: o questionamento de um conceito

O conceito «BRIC» – o grupo de países integrado por Brasil, Rússia, Índia e China – é uma criação de analistas econômicos que rapidamente se popularizou entre jornalistas e políticos. Já teve conseqüências diplomáticas, com reuniões entre os quatro chanceleres. Este artigo busca uma aproximação crítica ao conceito através da análise das trajetórias históricas, das características econômicas e dos objetivos políticos dos quatro países. Essa indagação revela que, para além da condição comum de potências emergentes, as diferenças são muito relevantes. Finalmente, ressalta-se a importância de que o grupo BRIC assuma uma posição positiva e não se limite a uma agenda puramente defensiva, a fim de avançar no objetivo de aumentar seu protagonismo no sistema internacional.

O Brasil na África ou a África no Brasil? A construçao da política africana pelo Itamaraty

A política africana do Brasil começou há 50 anos e, apesar de ter passado por diferentes fases, jamais foi interrompida. Nos anos 90, as restrições orçamentárias e a crise econômica levaram a um enfoque mais seletivo, que centrou a atenção na África do Sul. Desde a chegada de Lula ao poder, em 2003, a política africana brasileira recuperou seu lugar. O presidente fez oito viagens ao continente africano e recebeu dezenas de visitas de alto nível. Essa reaproximação do Brasil com a África se baseia, sem dúvida, nos laços culturais e históricos mas também no crescente intercâmbio comercial e nas coincidências nos foros internacionais. O objetivo é contribuir para a diversificação das relações exteriores do Brasil como parte de uma estratégia que procura potencializar seu protagonismo internacional.