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A América do Sul em um mundo multipolar. A Unasul é a alternativa?

Duas lideranças desempenham um papel fundamental na América do Sul e definem duas visões diferentes da integração regional. De um lado está Hugo Chávez, com um olhar geoestratégico e militar; de outro, a diplomacia cautelosa e baseada no desenvolvimento da economia e do comércio impulsionada pelo Brasil, cuja formulação mais ambiciosa é a Uniã:o de Nações Sul-Americanas (Unasul). A segunda estratégia parece se impor sobre a primeira, segundo demonstra o papel deste novo organismo na crise da Bolívia. O artigo argumenta que a Unasul pode vir a constituir-se em uma instância para enfrentar os conflitos na região e substituir progressivamente a Organização dos Estados Americanos (OEA), onde os Estados Unidos mantêm um papel fundamental, mas ainda é necessário que ela adquira uma estrutura institucional capaz de sustentar suas decisões ao longo do tempo.

A Colômbia e o Brasil, separados (e unidos) pelo comércio e pela segurança

Com exceção de alguns laços fronteiriços afastados dos centros de decisão, o Brasil e a Colômbia foram vizinhos distantes e temerosos. Por várias razões, desde a natureza selvagem das áreas de fronteira até o temor da Colômbia em relação ao expansionismo do Brasil, as relações entre ambos os países sempre foram fracas. Nos últimos anos, no entanto, as ligações vêm se intensificando: foram propostos mecanismos e planos ligados à segurança e ao narcotráfico, a partir da convicção de que o conflito armado envolve os países vizinhos, e se incrementaram os investimentos e o comércio. Este artigo sustenta que, embora o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos tenha reavivado a desconfiança, há espaço para continuar aprofundando o relacionamento.

A nova política exterior do Brasil

Após um início difícil, o governo Lula promoveu algumas mudanças importantes no Brasil, desde os avanços na área social até uma política econômica desenvolvimentista com uma recuperação do papel do Estado. Em matéria de política exterior, a mudança se desenvolveu desde o começo: sem perder de vista o objetivo de garantir a acumula&ccdeil;ão de capital das empresas brasileiras, a estratégia eo governo do Partido dos Trabalhadores (PT) priorizou a integraçáo sul-americana, em particular a relação com a Argentina, além da busca de um maior protagonismo nas areas multilaterais e uma nova aproximação com a Ásia e a África.

Integração financeira e internacionalização de empresas brasileiras na América do Sul

Dois processos vêm ganhando relevância nas relações do Brasil com a América do Sul: as iniciativas de integração financeira e monetária e a expansão de grande número de empresas para os países da região. Os dois processos resultam do desenvolvimento da economia brasileira nas últimas décadas e foram estimulados pelo contexto externo singular dos últimos anos. Apesar de sua relevância, os dois processos não foram até hoje incorporados na política e na estratégia externas do Brasil. O momento é propício para avançar no desenho de políticas públicas que apoiem e potencializem as estratégias das instituições privadas ou multilaterais na oferta de soluções financeiras compatíveis com a necessidade de competitividade internacional.

O Brasil e a criação do Conselho de Defesa Sul-Americano. Uma convergência de vantagens

O Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) é a primeira instituição especializada na área da defesa a reunir como membros todos os países da região. Trata-se de uma iniciativa brasileira, produto da sua condição de potência emergente, mas sua ampla aceitação deve-se a que a maioria dos Estados sul-americanos considera proveitosa a participação no novo organismo. Ele será encarregado de gerir as crises regionais, promover o intercâmbio de informação e estimular a indústria de armamentos. Este artigo argumenta que a força do CDS, derivada da sua flexibilidade, pode ser também um elemento negativo e que sua consolidação dependerã da vontade dos países de fomentar a integração.

O Brasil e a Venezuela: uma relação perigosa?

Nos últimos anos, o Brasil tem consolidado sua presença na região, como parte de sua estratégia de deixar de lado uma visão estritamente «comercialista» das relações internacionais e se tornar um ator importante nas dinâmicas globais. Desde a chegada de Hugo Chávez ao poder, a Venezuela lidera um projeto regional que busca reformular os processos de integração a partir de novos esquemas. Embora tenham uma origem comum na crítica ao neoliberalismo dos anos 90, os projetos e as personalidades de Lula e Chávez apresentam crescentes divergências. Neste contexto, a construção de convivência e governabilidade na região apresenta desafios cada vez mais exigentes a ambos os governos.

O eixo Lima-Brasília(onde alguns entram em arcos e saem com flechas)

Embora as análises costumem se limitar ao eixo Brasília-Buenos Aires ou Brasília-Caracas, existe outro eixo em construção do qual se fala menos. Trata-se do eixo Brasília-Lima, que articula um corredor entre o Atlântico e o Pacífico a partir do trabalho conjunto dos grupos econômicos privados e de ambos os Estados. Para o Brasil, é uma oportunidade para que suas empresas possam se expandir para o mercado peruano e dirijam as exportações para o Pacífico; para o Peru, é uma forma de atrair investimentos e de se contrapor à crescente importância dos capitais chilenos no país. Em resumo, um projeto de integração que permite articular os interesses dos empresários com os objetivos geopolíticos de ambos os países.

O intervencionismo na política externa brasileira

Desde a recuperação da democracia, o Brasil tem desenvolvido uma presença mais ativa na região. Com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao governo, o intervencionismo brasileiro se acentuou. O artigo sustenta que a liderança exercida pelo Brasil em diversos países, como Bolívia e Honduras, busca consolidar a influência do país, mas não necessariamente contribui para conter as crises nem a resolvê-las de maneira efetiva. O risco é situar o Brasil em uma posição de isolamento internacional similar à dos anos 70 e 80.

O Mercosul na época de Lula e Kirchner: um balanço, seis anos depois

A chegada ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner, em 2003, implicou um relançamento do Mercosul. Esse relançamento teve uma dupla dimensão. Por um lado, foi proposto um aprofundamento da agenda da integração além dos aspectos comerciais previstos no Tratado de Assun¸ão. Por outro, foi traçada uma ampliação do bloco a outros países da região. Este artigo elabora um balanço a partir da premissa de que é necessária uma visão multidimensional, que não se limite à dimensão comercial e considere também outras áreas, particularmente as sociais e produtivas. A conclusão é um processo que mostra alguns avanços, mas também retrocessos.