Tema central

Antifeminismo on-line

As mulheres sempre devem pagar um custo mais elevado que os homens para se expressarem. Por isso, ainda que o antifeminismo preceda as redes sociais, com a chegada da internet surgiram novos repertórios de reação contra as feministas. A violência on-line se materializa por meio de diversas formas de assédio, perseguição e abuso. O clima ideológico propiciado pela «direita alternativa» – racista, xenófoba e machista – alimenta boa parte desse movimento. Mesmo assim, muitas feministas levantam a voz, não se deixam amedrontar e buscam formas de resistir e consolidar os avanços conquistados.

Antifeminismo on-line

Nota: a versão original deste artigo em espanhol foi publicada em Nueva Sociedad No 269, 5-6/2017, disponível em www.nuso.org . Tradução de Luiz Barucke.

«Barbijaputa, eu já sei onde você mora e vou te matar destroçando tua barriga a facadas, feminazi de merda!» Embora possa parecer exageradamente violenta, essa é uma das muitas mensagens de ódio que recebe diariamente por e-mail a colunista e escritora espanhola cujo pseudônimo é, há anos, Barbijaputa. Ela é uma das feministas de língua espanhola mais seguidas nas redes sociais, conhecida por seu senso de humor e ironia ao tratar de diversos aspectos da atualidade em meios de informação digital como La Marea, Eldiario.es e Pikara Magazine.Já a escritora e jornalista colombiana Catalina Ruiz-Navarro – colunista de El Espectador e El Heraldo na Colômbia, Vice no México e Univisión nos Estados Unidos – revelava há alguns anos seu mal-estar pela violência cotidiana suscitada por seus escritos na internet. Nos fóruns de suas colunas no El Espectador, por exemplo, eram comuns longas discussões sobre se ela era «feia» ou «bonita», se era «promíscua» ou «frígida», além dos insultos, obviamente. Chegaram até mesmo a buscar sua mãe nas redes para lhe perguntar «por que não a abortou» e, a seu marido, para adverti-lo de que é uma «vítima» dela ou incentivá-lo a «regular» sua esposa1.

Recentemente, em uma coluna publicada em Eldiario.es intitulada «Libertad de persecución»2, Barbijaputa se referiu às mensagens violentas que costumam lhe enviar pelo simples fato de escrever o que pensa como feminista. «Nas redes sociais, também recebo constantemente ameaças como essa e muito piores que, para não ferir pessoas mais sensíveis, não costumo compartilhar ou, se as compartilho, opto agora por pixelar as imagens que as acompanham.» Longe de representarem uma exceção, as situações vividas pela escritora espanhola – que acaba de publicar o livro Machismo: 8 pasos para quitártelo de encima – e por Ruiz-Navarro são a regra do que ocorre hoje em dia no magma das redes sociais com usuárias do Norte e também do Sul. «E tudo isso por quê?», pergunta-se Barbijaputa no mesmo artigo. Ela mesma responde: «Primeiro, porque somos mulheres e, segundo, porque somos feministas».

O anonimato de Barbijaputa, que em princípio foi uma escolha praticamente ao acaso, hoje lhe serve pelo menos para evitar que seus perseguidores virtuais avancem tanto como o fazem quando a identidade de feministas é pública e amplamente conhecida. Na internet, a violência contra as mulheres se materializa na forma de assédio, perseguição, extorsão e ameaças, roubo de identidade, doxing (divulgação de dados pessoais, como endereço e telefone) ou alteração e publicação de fotos sem consentimento.

Na arena digital (como na analógica), também as mulheres em geral e particularmente as feministas devem pagar um custo mais elevado que os homens para dizerem o que pensam. Há uma década, a escritora e jornalista tecnológica Annalee Newitz contava como seus artigos publicados em sites especializados (como o Slashdot) inspiravam acaloradas discussões sobre se ela era muito gorda para poder ser considerada atraente; entretanto, ninguém opinava sobre a forma física ou a beleza dos homens que assinavam outros artigos do mesmo nível intelectual3.

O fenômeno relatado por Newitz eclodiu em todas as direções depois que as redes sociais alcançaram um incrível frenesi na rápida velocidade da «pós-verdade», quando um fato tem menos importância que as mentiras viralizadas sobre ele. O antifeminismo on-line foi cozido em um fogo não tão brando durante os últimos cinco anos, em um caldo de ingredientes marcado em boa medida pelo que ao norte do rio Grande costumam chamar de Alt-Right, ou direita alternativa.

Homens obcecados e «direita alternativa»

Matthew N. Lyons, um pesquisador dos movimentos políticos de direita, publicou recentemente um ensaio sobre a Alt-Right nos eua4. Lyons afirma que se trata de um movimento de extrema direita pouco organizado, que despreza tanto o multiculturalismo liberal como o conservadorismo tradicional, sustenta uma sólida crença de que algumas pessoas são inerentemente superiores a outras, possui forte presença na internet e aproveita elementos específicos da cultura virtual (como os memes e os trolls, segundo cada caso), e se apresenta como uma direita nova, moderna e irreverente. Além disso, Lyons chega a sugerir que, na realidade, a Alt-Right existe basicamente on-line e, portanto, não necessitaria da estrutura de um partido político ou de organizações paraestatais ao estilo da Ku Klux Klan.

Um claro expoente dessa direita cool é o jovem britânico Milo Yiannopoulos, ex-editor do Breitbart News Network5, um site de notícias, opiniões e comentários políticos com uma linha editorial de extrema-direita. Yiannopoulos, que se reconhece como gay, foi proibido no ano passado de utilizar o Twitter devido às mensagens racistas, sexistas e xenofóbicas que escrevia. Seus últimos tuítes virulentos foram dirigidos contra a atriz Leslie Jones – uma das protagonistas do filme Caça-Fantasmas –, ridicularizando-a e difamando-a por sua cor de pele, sua forma física e por ser mulher.

Lyons considera que a linha dura de ódio com relação às mulheres se vincula às conexões estabelecidas entre a Alt-Right e o que os anglo-saxões chamam de manosphera (esfera de homens), uma espécie de subcultura antifeminista on-line que cresceu rapidamente nos últimos anos e proclama que os homens têm sido oprimidos e desempoderados pelo feminismo. Isso se assemelha ao que sustenta o «racismo inverso» dos eua – promovido por nacionalistas brancos desde a década de 1970 – quando denuncia que os estadunidenses brancos sofrem discriminação.

Obviamente, aqueles que concordam com os postulados da manosphera promovem a homofobia e a transfobia, o que condiz com seus esforços para (re)impor identidades e papéis rígidos de gênero. Um exemplo do que ocorre na manosphera argentina é a denúncia feita à Justiça pelo jornalista Franco Torchia, que por mais de um ano tem recebido mensagens de violência, homofobia e ameaças de morte por sua condição gay6. «Eu adoraria se alguém estrangulasse Franco Torchia, já que não posso fazer isso pessoalmente», afirma um tuíte; e outro segue com a cadeia de ataques: «Se você precisar de testemunhas a seu favor, fique à vontade para me chamar. Faz tempo que Torchia já deveria estar preso ou em um psicólogo. Trolo7 aidético».

Dizer que o antifeminismo (como o machismo ou a misoginia) não é um fenômeno novo nem exclusivo das redes sociais parece algo óbvio a esta altura do campeonato. Basta lembrar, para mencionar um exemplo de destaque, o que sofreram as sufragistas há mais de um século ao lutarem pelo direito das mulheres ao voto: elas eram insultadas, espancadas em via pública, demitidas de seus empregos, presas e chegavam até mesmo a perder a guarda de seus filhos e filhas. Mais recentemente, outro caso notório de antifeminismo pode ser visto a cada ano nos Encontros Nacionais de Mulheres realizados na Argentina – que reúnem milhares de participantes –, quando grupos católicos organizados tentam intervir em diferentes espaços de debate, sobretudo naqueles que abordam temas como a educação sexual e o direito ao aborto legal, seguro e gratuito8. As integrantes dessas organizações religiosas cumprem nesses casos uma função semelhante à dos trolls nas redes, ou seja, emitem mensagens provocativas, irrelevantes ou não relacionadas ao tema, com o principal intuito de incomodar ou gerar uma resposta emocional negativa em quem compartilha o espaço de discussão.

Ao ataque contra as gamers

Um caso paradigmático do que esse ambiente hostil de masculinidade ofendida pode chegar a produzir é o conhecido como #GamerGate, hashtag lançada no Twitter em 2014 e que teve continuidade em outras redes para intimidar desenvolvedoras de jogos eletrônicos. O incidente começou com Eron Gjoni, um ex-namorado rejeitado que postou em um blog uma longa publicação (mais de 9.000 palavras), na qual contava com requinte de detalhes (inclusive cópias de mensagens pessoais trocadas por bate-papo e e-mail) o relacionamento que havia mantido com Zoë Quinn, uma jovem desenvolvedora de jogos.

Em sua postagem, Gjoni revelava – entre muitos outros episódios de infidelidade – que sua ex-namorada mantinha um relacionamento com um jornalista especializado em jogos eletrônicos. Isso fez com que uma horda de machos virtuais se lançasse a assediar Quinn, alegando que a boa resposta da imprensa obtida pelo jogo Depression Quest, desenvolvido por ela, se devia a seu relacionamento com um jornalista do meio. Após meses de insultos, assédios e ameaças de estupro e assassinato (realizados em nome da «liberdade de expressão»), Quinn precisou abandonar sua casa, pois haviam realizado doxing, e seus dados pessoais foram difundidos em diversos espaços.

Mas Quinn não foi o único alvo escolhido por esses misóginos obcecados. Também participou dessa «controvérsia» a crítica de mídia e videogamer estadunidense Anita Sarkeesian, criadora do projeto Feminist Frequency, através do qual promove uma crítica feminista a diferentes produtos da cultura popular. Em 2012, já antes do affaire #GamerGate, ela passou a receber ameaças de morte e estupro quando começou a arrecadar recursos para financiar a série de vídeos no YouTube Tropes vs Women in Video Games, em que, com grande inteligência e suspicácia, analisa a misoginia que historicamente impera nos jogos eletrônicos. Desde então, Sarkeesian – considerada em 2015 uma das 100 pessoas mais influentes pela revista Time – tem recebido mensagens intimidatórias de todo tipo, acusações e ameaças. Seus perseguidores chegaram até mesmo a criar um jogo que consiste em bater em seu rosto até fazê-lo sangrar. E isso não foi tudo. Em 2014, um dia antes que Sarkeesian realizasse uma palestra na Universidade de Utah, a instituição acadêmica recebeu um e-mail com a informação de que ocorreria um tiroteio em massa na universidade caso ela permitisse a apresentação de Sarkeesian. A mensagem era assinada por Marc Lépine, nome do jovem que, em 1989, se suicidou após assassinar a tiros 14 mulheres na Escola Politécnica de Montreal (Canadá), clamando que lutava «contra o feminismo». Finalmente, Sarkeesian desistiu da atividade, já que as autoridades da instituição não estavam dispostas a instalar um detector de metais para evitar a entrada de pessoas armadas no auditório.

Em uma entrevista realizada em 2015 pela jornalista, escritora e blogueira feminista Jessica Valenti para o jornal britânico The Guardian, Sarkeesian comentou que considerava o termo troll muito infantil para denominar pessoas que realizam todo tipo de agressão on-line contra as feministas9. Para ela, trata-se diretamente de assédio e abuso. «É um ataque e uma investida contra as mulheres que atuam no mercado de jogos. Seu propósito é silenciar mulheres; e, quando não conseguem, tentam desacreditá-las», comentou em relação ao #GamerGate.

Valenti também recebeu durante anos ameaças frequentes por correio eletrônico, nas redes sociais e em seu telefone celular. Finalmente, no ano passado, após receber uma mensagem pelo Instagram na qual um usuário ameaçava estuprar sua filha de cinco anos de idade, ela decidiu fechar definitivamente suas contas nas redes sociais e abandonar esse âmbito.

Eles nos explicam…

Mas o antifeminismo on-line não se manifesta somente em suas expressões mais extremas, como as expostas anteriormente. As feministas devem enfrentar uma grande quantidade de temas. Há os habituais epítetos «odeia homens» (quando não «feminazis»), «ressentidas», «extremistas» e «histéricas», entre outros insultos. Além disso, não é incomum que as feministas precisem tolerar – às vezes com paciência estoica – todo tipo de argumento baseado na mais pura ignorância como, por exemplo, o básico: «Que tal se propusermos o respeito de homens em relação às mulheres e de mulheres em relação aos homens?». Há também o falso argumento baseado na premissa de que quem explica algo se encontra em uma situação de superioridade: os homens que dizem o que pensam sobre o feminismo (mesmo, e sobretudo, sem terem a menor ideia do que se trata) e opõem suas objeções para que as feministas revejam suas posturas. Essa atitude, que tende a silenciar as mulheres e, ultimamente, é denominada pelo neologismo mansplaining (man + explain)10, tem sido amplamente analisada pelas feministas11.

Exemplos dessa atitude podem ser vistos por toda parte nos comentários feitos sobre qualquer artigo on-line relacionado a algum aspecto do feminismo. A saber: «As mulheres de hoje possuem todas as ferramentas para estar em pé de igualdade com os homens, inclusive com privilégios que nós não temos, mas nem por isso saímos pelados para protestar» ou «Não à violência contra a mulher? Não à violência contra qualquer pessoa», ou também «Já é hora de deixar de se vitimizar e buscar a verdadeira igualdade de gênero, e não terminar como todas as feminazis que só buscam superioridade», e assim por diante.

Mas o antifeminismo on-line (como também o off-line) não é uma prática realizada somente por homens. Na verdade, em meados de 2014, em pleno #GamerGate e não casualmente, surgiu também a hashtag #WomenAgainstFeminism [Mulheres contra o feminismo] no Twitter, Tumblr, Facebook e YouTube, além de outras redes sociais. Com essa palavra de ordem, algumas mulheres começaram a publicar fotos delas mesmas sustentando cartazes feitos à mão, em que indicavam por que desaprovam o feminismo. Por exemplo: «Não preciso do feminismo porque ele demoniza as construções familiares tradicionais»; «Não preciso do feminismo porque assoviarem para você ou a elogiarem na rua não é opressão»; «Não preciso do feminismo porque não coloco a culpa nos homens por ações que são de minha responsabilidade».

Reza a lenda que #WomenAgainstFeminism foi uma reação direta a uma campanha bem-intencionada, realizada por um grupo de estudantes da Universidade de Duke em 2012. O projeto se chamava «Who Needs Feminism?» [Quem precisa do feminismo?] e se propunha a difundir diferentes declarações sobre a necessidade do feminismo na atualidade, com fotos de cada mulher exibindo um cartaz com as razões que considerassem importantes. A iniciativa surgiu da constatação de que muitas pessoas desconheciam as propostas e os pontos de vista do feminismo, o que as levava a se orientar na maioria das vezes por preconceitos e concepções equivocadas sobre o movimento. Entre as centenas de mensagens que circularam na campanha, liam-se: «Preciso do feminismo porque ainda há gente que faz piada por considerar que um estupro pode ser algo engraçado»; «Preciso do feminismo porque ‘ser homem’ não deveria significar menosprezar as mulheres»; «Preciso do feminismo porque a neutralidade sempre ajuda o opressor, nunca a vítima».

O atrevimento

Amplo e heterogêneo, o movimento feminista passou por diferentes etapas históricas com suas sucessivas «ondas» e muitas discussões, motivo pelo qual se costuma falar em «feminismos», no plural12. Mas olhar para a realidade com a lente lilás do feminismo permite observar e desnaturalizar, entre outras questões, o fato de que a diferença sexual acaba se transformando em desigualdade social em nossas sociedades. Sem os feminismos, quem questionaria o dado concreto de que as mulheres têm menos acesso a determinadas áreas do conhecimento, como as chamadas ciências duras e tecnológicas13, bem como cargos de liderança e direção nos âmbitos acadêmico e empresarial, entre outros14? Quem denunciaria que as mulheres dispõem de menos tempo devido à distribuição social desigual nas tarefas de cuidado: do lar, de crianças, idosos e pessoas com deficiência15? Sem mencionar o tema dos diferentes tipos de violência contra as mulheres. Sem os feminismos, quem se perguntaria por que, em nossas sociedades, uma em cada quatro mulheres sofre ao longo da vida algum ataque sexual que pode terminar em estupro16? E essas são apenas algumas perguntas dentre tantas que incomodam quem defende a ferro e fogo a ordem estabelecida, o patriarcado em sua mais pura e máxima expressão.

O antifeminismo nas redes sociais existe no terreno preexistente do machismo e da misoginia que imperam na internet há bastante tempo. E essa nuvem virtual só é factível se rodeada de um fluido viscoso chamado realidade, na qual há uma discriminação positiva de facto que exclui as mulheres (e muitas minorias) da atuação nos âmbitos político, econômico, acadêmico e em tantos outros espaços vitais. E a realidade no alvorecer do terceiro milênio parece circular pelo terreno acidentado em que os novos movimentos reacionários se encontram em uma forte posição, como observa Matthew N. Lyons, forte a ponto de « perseguir a transformação da cultura política e assentar as bases de uma mudança estrutural centrada em sua visão de um Etnoestado branco»… e macho, poderíamos acrescentar.

Por isso, praticamente não causou surpresa quando, na Argentina, um exército de trolls – muitos deles ligados ao governo – atacou o coletivo #NiUnaMenos e reconhecidas feministas, como a atriz Malena Pichot, justamente no dia em que encontraram o cadáver de Micaela García, uma das mulheres assassinadas neste ano. Vários deles zombaram da jovem assassinada por pertencer a uma agrupação peronista, o Movimento Evita.Há um amplo debate entre feministas em torno do que fazer diante dos ataques que recebem nas redes sociais. Deve-se permanecer e levantar a voz nos espaços virtuais ou retirar-se e evitar o enfrentamento com seres muitas vezes anônimos? Sarkeesian está entre as que preferem seguir adiante e não abandonar espaços por causa de intimidações. Por isso, juntamente com sua troupe do Feminist Frequency, ela desenvolveu um guia para se proteger do assédio on-line17. Na introdução, afirma: «Desejaríamos não precisar escrever isto. Tomar algumas destas medidas para garantir sua segurança on-line custará a você tempo real e, às vezes, dinheiro. É uma sanção imposta às mulheres, negros, queer, transgênero e outros grupos oprimidos por nos atrevermos a expressar publicamente nossas opiniões». Essa sanção imposta mostra que ainda precisamos de mais feminismo on-line e nas ruas.

  • 1.

    C. Ruiz-Navarro: «Queridos trolls» em Sin Embargo, 4/8/2015.

  • 2.

    Barbijaputa: «Libertad de persecución» em Eldiario.es, 23/3/2017.

  • 3.

    A. Newitz e Charlie Anders (eds.): She’s Such a Geek: Women Write About Science, Technology, and Other Nerdy Stuff, Seal Press, Berkeley, 2006.

  • 4.

    Matthew N. Lyons, It´s Going Down, K. Kersplebedeb e Bromma: Ctrl-Alt-Delete: An Antifascist Report on the Alternative Right, Kersplebedeb, Montreal, 2017.

  • 5.

    Yiannopoulos teve de pedir demissão do Breitbart News Network em fevereiro deste ano depois de difundir pelas redes um vídeo em que defende a possibilidade de que crianças de 13 anos tenham relações sexuais com adultos. Após ser acusado de fazer apologia da pedofilia, Yiannopoulos declarou que repudia totalmente os abusos sexuais de menores, crime do qual assumiu ele mesmo ter sido vítima, mas explicou que, ainda que talvez não tenha utilizado as palavras mais indicadas para se referir ao tema, defende a todo custo sua liberdade de se expressar como quiser. «Tenho orgulho de ser um guerreiro da liberdade de expressão e criação», afirmou no texto que leu durante a coletiva na qual anunciou sua demissão.

  • 6.

    «Juicio contra agresiones online» em Página/12, 17/11/2016.

  • 7.

    Termo depreciativo utilizado na Argentina para se referir à condição homossexual.

  • 8.

    Amanda Alma e Paula Lorenzo: Mujeres que se encuentran. Una recuperación histórica de los encuentros nacionales de mujeres (1986-2005), Feminaria, Buenos Aires, 2009.

  • 9.

    J. Valenti: «Anita Sarkeesian Interview: ‘The Word Troll Feels Too Childish: This Is Abuse’» em The Guardian, 29/8/2015.

  • 10.

    Ruiz-Navarro conduz com a advogada feminista Estefanía Vela Barba o projeto «Estereotipas.com. Feminismo pop latinoamericano». Elas traduziram mansplaining ao spanglish como «manxplicadores» e realizaram um vídeo bastante ilustrativo a respeito.

  • 11.

    Um exemplo recente sobre esse tipo de análise é o realizado pela escritora estadunidense Rebecca Solnit em Men Explain Things to Me, Haymarket Books, Chicago, 2014.

  • 12.

    V., por exemplo, os artigos incluídos no tema central da revista Nueva Sociedad No 265, 9-10/2016, intitulado «Geografías feministas», disponível em www.nuso.org.

  • 13.

    O relatório da Unesco Science, Technology and Gender: An International Report (Unesco, Paris, 2007) destaca que as mulheres que não têm acesso a essas áreas do saber atuam em posição de desvantagem no mercado de trabalho, já que os cargos mais bem remunerados são aqueles relacionados com informática e distintos ramos da engenharia, e são justamente nessas áreas em que há menor quantidade de mulheres.

  • 14.

    Andrea Bielli et al.: Proyecto iberoamericano de ciencia, tecnología y género. Gentec — Unesco. Informe comparativo regional e informes nacionales de Argentina, Brasil, Costa Rica, España, México, Paraguay, Uruguay y Venezuela, Unesco, 2004, disponível em www.comunicacion.amc.edu.mx/comunicacion/docs/Reporte_Final%20geNtec.pdf.

  • 15.

    A divisão sexual do trabalho dentro dos lares argentinos foi descrita no levantamento «Encuesta sobre trabajo no remunerado y uso del tiempo», realizado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) da Argentina durante o último trimestre de 2013. O estudo revelou que 90% das mulheres realizam trabalho doméstico não remunerado, contra 58% dos homens. A medição em horas também mostra fortes desigualdades: a cada dia, as mulheres dedicam em média 5,7 horas a atividades domésticas não remuneradas, ao passo que os homens dedicam duas horas por dia, isto é, menos da metade. Sobre esse assunto, v. María de los Ángeles Durán: El valor del tiempo. ¿Cuántas horas le faltan al día?, Espasa Calpe, Madri, 2007; e Corina Rodríguez Enríquez: «Economía del cuidado, equidad de género y nuevo orden económico internacional» em Alicia Giron e Eugenia Correa (coords.): Del Sur hacia el Norte. Economía política del orden económico internacional emergente, Consejo Latinoamericano de Cåiencias Sociales, Buenos Aires, 2007.

  • 16.

    A socióloga Inés Hercovich escreveu El enigma de la violación sexual (Biblos, Buenos Aires, 1997), um livro de referência sobre a matéria. Por sua vez, em Las estructuras elementales de la violencia (Editorial de la Universidad Nacional de Quilmes, Bernal, 2003), a antropóloga Rita Segato defende que, em nossas sociedades patriarcais, o estupro faz parte de uma estrutura de subordinação que antecede qualquer situação na qual ocorra, e que o estuprador conta com uma grande quantidade de interlocutores na sombra.

  • 17.

    Disponível em inglês, castelhano e árabe em https://onlinesafety.feministfrequency.com/.